Negócios com o Karma


“O Karma é negociável e isso é algo que muito pode surpreender os seguidores das diversas escolas ortodoxas.”


Deus Anubis, Juiz da Lei.
Justiça sem misericórdia é tirania; Misericórdia sem Justiça é tolerância, complacência com o delito.

Neste mundo de desditas em que nos encontramos, faz-se necessário aprender a manejar nossos próprios negócios, para guiar o barco da existência através da diversas escalas da vida.

O Karma é negociável e isso é algo que muito pode surpreender os seguidores das diversas escolas ortodoxas. Certamente, alguns pseudo-esoteristas e pseudo-ocultistas tornaram-se bem pessimistas em relação à lei do ação e consequência. Supõem, equivocadamente, que esta lei se desenvolve de forma mecanicista, automática e cruel.

Os eruditos crêem que não é possível alterar a lei do karma. Lamento muito sinceramente ter que discordar dessa forma de pensar. Se a lei de ação e consequência, se o Nêmesis da existência não fosse negociável, etão, onde ficaria a misericórdia divina?

Francamente, não posso aceitar crueldade na divindade. O real, aquilo que é todo perfeição, isso que tem diversos nomes, como Tao, AUM, INRI, Sein, Alá, Brahma, Deus, ou melhor dizendo, Deuses, etc., de modo algum pode ser algo sem misericórdia, cruel, tirânico, etc.

Por tudo isto, repito de forma enfática, que o karma é negociável. Quando uma lei inferior é transcendida por uma lei superior, a lei superior lava a lei inferior.

Faça boas obras para poder pagar suas dívidas.

O leão da lei se combate com a balança.

Quem tem com que pagar, paga e sai bem em seus negócios, quem não tem com que pagar, pagará com dor.

Se num prato da balança cósmica pomos as boas obras e no outro as más, é evidente que o karma dependerá do peso da balança.

Se pesar mais o prato das más ações, o resultado serão as amarguras. Não obstante, é possível aumentar o peso das boas obras no prato da balança; desta forma pagaremos karma sem necessidade de sofrer. Tudo o que necessitamos é fazer boas obras para aumentar o peso do prato das boas ações.

Agora, os senhores, meus bons amigos, compreendem o maravilhoso que é fazer o bem;não há dúvida de que o reto pensar, o reto sentir, e o reto agir são o melhor negócio do mundo. Nunca devemos protestar contra o karma; o importante é saber negociá-lo.

Desgraçadamente, o único que as pessoas pensam, quando se acham numa grande amargura, é lavar as mãos como Pilatos; dizer que não fizeram nada mau, que não são culpados, que são Almas justas, etc.

Eu digo aos que estão na miséria: revisem sua conduta;julguem a si mesmos; sentem-se, mesmo que por um instante, no banco dos réus, e depois de uma sumária análise de si mesmos, modifiquem a conduta.

Se estes que se acham sem trabalho se tornassem castos, infinitamente caridosos, generosos, serviçais em cem por cento, é óbvio que alterariam radicalmente a causa de sua desgraça, e consequentemente, modificariam os efeitos.

Não é possível alterar um efeito sem antes modificar radicalmente a causa que o produziu; pois, como já dissemos, não existe efeito sem causa nem causa sem efeito.

Não há dúvida que a miséria tem suas causas nas bebedeiras, na asquerosa luxúria, na violência, nos adultérios, no esbanjamento e na avareza. Não é possível que alguém se encontre em miséria quando o Pai, que está oculto, se faça presente aqui e agora.

(…) O Karma é o remédio que nos é dado para nosso próprio bem. Desgraçadamente as pessoas, em vez de se inclinar reverentes ante o eterno Deus vivo, protestam, blasfeman, justificam-se, desculpam-se nesciamente e lavam as mãos como Pilatos.

Com esses protestos não se modifica o karma;ao contrário, torna-se mas duro e severo. Reclamamos fidelidade do cônjugue, quando nós mesmos fomos adulteros nesta ou em vidas precedentes. Pedimos amor, quando fomos impiedosos e cruéis. Solicitamos compreensão, quando nunca soubemos compreender ninguém, quando jamais aprendemos a ver o ponto de vista alheio. Anelamos ditas imensas, quando sempre fomos a origem de muitas desditas. Queriamos nascer num lar muito belo e com muito confortos, quando em passadas existências não soubemos brindar nossos filhos com lar e beleza. Protestamos contra os insultadores, quando sempre insultamos a todos os que nos rodeiam. Queremos que nossos filhos nos obedeçam quando jamais soubemos obedecer nossos pais. Molesta-nos terrivelmente a calúnia, quando nós sempre fomos caluniadores e enchemos o mundo de dor. A fofoca nos fere e não queremos que ninguém murmure de nós, no entanto, sempre andamos em meio a intrigas e murmúrios, falando mal do próximo e mortificando a vida dos demais.

Que dizer, sempre reclamamos o que não demos. Em todas as nossas vidas anteriores fomos malvados e merecemos o pior; porém supomos que nos devem dar o melhor. Os enfermos, em vez de se preocuparem tanto consigo mesmos, deveriam trabalhar pelos demais, fazer obras de caridade, tratar de sanar os outros, consolar os aflitos, levar o médico aos que não tem com que pagá-lo, distribuir medicamentos, etc; asim pagariam seu karma e se curariam totalmente.

Aqueles que sofrem em seus lares deveriam multiplicar sua humildade, sua paciência e serenidade. Não constestar com más palavras, não tiranizar o próximo, não atormentar os que nos rodeiam, saber desculpar os defeitos alheios com uma paciência multiplicada até o infinito. Assim pagariam seu karma e se tornariam melhores.

Desgraçadamente, meus queridos amigos, esse ego que cada qual leva dentro de si, faz exatamente o contrário do que aqui estamos dizendo. Por esse motivo, considero urgente, inadiável, impostergável, reduzir o mim mesmo a poeira cósmica.


Autor: Samael Aun Weor
Texto do capítulo 24 do Livro Sim! Há Inferno, Diabo e Karma

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Budismo e Cristianismo

“Em verdade, Buddha e Cristo se completam. É assim mesmo!”


Gautama, o Buddha
Gautama, o Buddha
(…) Sem dúvida, os dois maiores líderes espirituais que surgiram na história do mundo foram Buddha e o Cristo. Certa ocasião tive que me apresentar num Mosteiro Buddhista, no Japão [em corpo astral]. Então me ocorreu de dizer algo a favor do Cristo, mesmo estando num templo buddhista. Isso gerou, entre os presentes, uma espécie de “escândalo”. Aos presentes, isso soou como “atrevimento” de minha parte, e levaram a questão ao Mestre Reitor do templo. Este veio a mim e me convidou a me sentar num banquinho, e de frente para mim, perguntou: – Por que falaste a favor do Cristo, sendo este um templo buddhista?

Respondi: – Com profundo respeito a esta sagrada instituição tenho que afirmar que o Buddha e o Cristo se complementam…

Aguardava uma reação da parte do Mestre, mas, com grande surpresa, ele concordou, dizendo: – “Em verdade, Buddha e Cristo se completam. É assim mesmo!

Em seguida pediu que alguém trouxesse um fio de linha. Dirigindo-se a mim, pediu: Alcança-me tua mão direita. Assim o fiz. Então, ele amarrou o meu dedo polegar direito com o fio e em seguida fez o mesmo com o esquerdo. E concluiu falando em linguagem zen: O Buddha e o Cristo se completam.

Retirei-me do templo havendo compreendido perfeitamente o Koan do Mestre… De fato, este Koan é muito sábio. Buddha e o Cristo estão ligados dentro de nós mesmos. O polegar direito representa o Cristo; o esquerdo, Buddha.

Buddha Gautama Sakyamuni, trouxe ao mundo a doutrina do Buddha íntimo. Quem é nosso Buddha Íntimo? É nosso Atman-Buddhi, nosso Íntimo. Por isso foi escrito no Testamento da Sabedoria Antiga: “Antes que a falsa aurora amanhecesse sobre a terra, aqueles que sobreviveram ao furacão e à tormenta, abençoaram o Íntimo e a eles apareceram os Heraldos da Aurora”.

O Íntimo é o Buddha Interior de cada um. Que os seres humanos ainda não O tenham encarnado em si, é verdade! Que o Buddha ainda esteja vivendo na Via Láctea, perfeitamente de acordo! Mas, cada ser humano possui o seu Buddha Íntimo vivendo nos céus estrelados do cosmo.

Jesus, o Cristo
Jesus, o Cristo

Já em relação ao Cristo, a história é outra. Jesus de Nazareth, um dos mais elevados membros da Ordem dos Essênios, que viveu há dois mil anos nas margens do mar Morto, trouxe a Doutrina do Cristo Íntimo. O grande equívoco das pessoas de hoje é crerem que o Cristo tenha sido exclusivamente o Grande Mestre Jeshuá Ben Pandirá.

Porém o Cristo é uma Força Cósmica, é o Segundo Logos, é a Unidade Múltipla Perfeita. O Cristo é uma força como a eletricidade, como a força gravitacional, uma força como o fogo, a água, o ar. O Cristo é uma Força ou um Poder Cósmico que se expressa ou pode se manifestar em qualquer pessoa [homem ou mulher] devidamente preparados para isso através dos processos iniciáticos.

A Força Cristo um dia se manifestou em Moisés, no Monte Nebo; em Krishna, na Índia; em Mitra, na Pérsia; em Ketzalcoatl, no México antigo, etc.

O Cristo não é uma pessoa, não é um indivíduo, não é um Eu. O Cristo é uma Força Cósmica, latente em todo o universo; é o “Fogo Universal de Vida” – e isso é preciso que seja devidamente entendido. Portanto, observem todos agora como o Buddha e o Cristo se completam dentro de nós mesmos.

Na vida prática todos sabemos que alguns dizem que Buddha é maior que Jesus; outros dizem o contrário, que Jesus é superior a Buddha. Cada um pode pensar como quiser ou achar melhor. Particularmente, prefiro situar tudo isso dentro do terreno vivo da ciência esotérica. Creio que todos sabem perfeitamente o que seja Atman-Buddhi dentro de nós. Também creio que todos saibam que o Cristo é o Segundo Logos, o mesmo Vishnu da trimurti hindu. Portanto, tanto Vishnu quanto Atman-Buddhi ocupam respectivamente seu correspondente Grau Hierárquico dentro de nosso Ser, aqui e agora, no qual se nota claramente que Vishnu está além de Atman-Buddhi. Mas, ambos se harmonizam e se completam dentro do Ser Superlativo.

Quando o Cristo Cósmico quer vir para dentro de um corpo humano, obviamente precisa descer da sua correspondente elevada Esfera, penetrar no ventre materno da Divina Mãe Kundalini e, mais tarde, nascer como Logos Humanizado no íntimo de uma pessoa, durante a Iniciação de Tipheret [a Iniciação Venusta – não confundir com a mera quinta Iniciação de Fogo]. Portanto, o Cristo Cósmico nasce do ventre materno de nossa Mãe Kundalini individual quando e após Esta estar devidamente cristalizada ou encarnada em nós. Por isso se diz que a Mãe do Cristo é Virgem antes, durante e após o parto”. É um simbolismo que poucos compreendem…

Após nascer num estábulo em meio aos animais [quando o Cristo nasce no ser humano, este ainda possui muitos egos], através do tempo vai crescendo, se educando e fortalecendo em nosso Egito Interior. Todo esse Drama Cósmico está descrito nos quatro evangelhos. Esta é a Doutrina do Salvador do Mundo. Não sendo humano, vive como humano; não tendo pecados, parece um pecador aos olhos do mundo; sendo perfeito é perseguido e odiado pelo mundo; por fim, após provar todas as humilhações dos poderes constituídos da sociedade, acaba sendo crucificado, acusado de crimes jamais cometidos ou pensados em sua santíssima natureza. Encerra seu périplo humano quando com a morte mata a própria morte: é enterrado e ressuscita ao terceiro dia, totalmente imortalizado.

Jesus não é o único Imortal Ressurrecto. Muitos são os Mestres Glorificados na história do mundo: Morya, Kut-Humi, Seraphis, Hermes, Moisés, Saint Germain, Paracelso, Cagliostro, etc.

Portanto, queridos amigos, a crua realidade dos fatos é que o Cristo é uma realidade profunda e íntima, tal qual o surgimento e manifestação de Buddha. Gautama Buddha trouxe ao mundo a Doutrina do Buddha Íntimo; Jeshuá Ben Pandirá trouxe ao mundo a Doutrina do Cristo Cósmico – e ambas se completam entre si.

Há duas classes de Buddhas: Buddhas Transitórios e Buddhas Permanentes.

Os Buddhas Transitórios são aqueles que não conseguiram encarnar em si mesmos o Cristo Íntimo. Os Buddhas Permanentes ou Buddhas de Contemplação são aqueles que se cristificaram, que receberam em sua natureza interior o Cristo Íntimo.

BUDDHA MAITREYA é todo Buddha que encarnou o Cristo Íntimo – assim deve ser entendido. O Buddha Maitreya não é uma pessoa, não é um título. Buddha Maitreya é simplesmente um Grau Esotérico de todo aquele que haja se cristificado.

Em algum momento no futuro terei que ir à Ásia, para cumprir uma grande missão, qual seja, a de fundir os ensinamentos buddhistas e cristãos – porque o futuro espiritual da humanidade será formado com o melhor do esoterismo buddhista e do esoterismo cristão.

Em resumo: a GNOSE é o próprio esoterismo cristão e buddhista perfeitamente integrados. Por isso, o Movimento Gnóstico está destinado a fazer uma grande revolução espiritual no futuro.

Traduzido e adaptado de uma conferência do Mestre Samael Aun Weor.
Autor: Samael Aun Weor

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O Mito da Caverna: uma visão gnóstica

O “Mito da Caverna” é uma alegoria contada por Platão no Livro VII de “A República”. Reproduzi-lo aqui é a forma mais enriquecedora e bela de iniciarmos esta reflexão.


Alegoria da caverna
A alegoria da Caverna
Sócrates – Figura-te agora o estado da natureza humana, em relação à ciência e à ignorância, sob a forma alegórica que passo a fazer. Imagina os homens encerrados em morada subterrânea e cavernosa que dá entrada livre à luz em toda extensão. Aí, desde a infância, têm os homens o pescoço e as pernas presos de modo que permanecem imóveis e só vêem os objetos que lhes estão diante. Presos pelas cadeias, não podem voltar o rosto. Atrás deles, a certa distância e altura, um fogo cuja luz os alumia; entre o fogo e os cativos imagina um caminho escarpado, ao longo do qual um pequeno muro parecido com os tabiques que os pelotiqueiros põem entre si e os espectadores para ocultar-lhes as molas dos bonecos maravilhosos que lhes exibem.

Glauco – Imagino tudo isso.

Sócrates – Supõe ainda homens que passam ao longo deste muro, com figuras e objetos que se elevam acima dele, figuras de homens e animais de toda a espécie, talhados em pedra ou madeira. Entre os que carregam tais objetos, uns se entretêm em conversa, outros guardam em silêncio.

Glauco – Similar quadro e não menos singulares cativos!

Sócrates – Pois são nossa imagem perfeita. Mas, dize-me: assim colocados, poderão ver de si mesmos e de seus companheiros algo mais que as sombras projetadas, à claridade do fogo, na parede que lhes fica fronteira?

Glauco – Não, uma vez que são forçados a ter imóveis a cabeça durante toda a vida.

Sócrates – E dos objetos que lhes ficam por detrás, poderão ver outra coisa que não as sombras?

Glauco – Não.

Sócrates – Ora, supondo-se que pudessem conversar, não te parece que, ao falar das sombras que vêem, lhes dariam os nomes que elas representam?

Glauco – Sem dúvida.

Sócrates – E, se, no fundo da caverna, um eco lhes repetisse as palavras dos que passam, não julgariam certo que os sons fossem articulados pelas sombras dos objetos?

Glauco – Claro que sim.

Sócrates – Em suma, não creriam que houvesse nada de real e verdadeiro fora das figuras que desfilaram.

Glauco – Necessariamente.

Sócrates – Vejamos agora o que aconteceria, se se livrassem a um tempo das cadeias e do erro em que laboravam. Imaginemos um destes cativos desatado, obrigado a levantar-se de repente, a volver a cabeça, a andar, a olhar firmemente para a luz. Não poderia fazer tudo isso sem grande pena; a luz, sobre ser-lhe dolorosa, o deslumbraria, impedindo-lhe de discernir os objetos cuja sombra antes via.

Que te parece agora que ele responderia a quem lhe dissesse que até então só havia visto fantasmas, porém que agora, mais perto da realidade e voltado para objetos mais reais, via com mais perfeição? Supõe agora que, apontando-lhe alguém as figuras que lhe desfilavam ante os olhos, o obrigasse a dizer o que eram. Não te parece que, na sua grande confusão, se persuadiria de que o que antes via era mais real e verdadeiro que os objetos ora contemplados?

Glauco – Sem dúvida nenhuma.

Sócrates – Obrigado a fitar o fogo, não desviaria os olhos doloridos para as sombras que poderia ver sem dor? Não as consideraria realmente mais visíveis que os objetos ora mostrados?

Glauco – Certamente.

Sócrates – Se o tirassem depois dali, fazendo-o subir pelo caminho áspero e escarpado, para só o liberar quando estivesse lá fora, à plena luz do sol, não é de crer que daria gritos lamentosos e brados de cólera? Chegando à luz do dia, olhos deslumbrados pelo esplendor ambiente, ser-lhe ia possível discernir os objetos que o comum dos homens tem por serem reais?

Glauco – A princípio nada veria.

Sócrates – Precisaria de algum tempo para se afazer à claridade da região superior. Primeiramente, só discerniria bem as sombras, depois, as imagens dos homens e outros seres refletidos nas águas; finalmente erguendo os olhos para a lua e as estrelas, contemplaria mais facilmente os astros da noite que o pleno resplendor do dia.

Glauco – Não há dúvida.

Sócrates – Mas, ao cabo de tudo, estaria, decerto, em estado de ver o próprio sol, primeiro refletido na água e nos outros objetos, depois visto em si mesmo e no seu próprio lugar, tal qual é.

Glauco – Fora de dúvida.

Sócrates – Refletindo depois sobre a natureza deste astro, compreenderia que é o que produz as estações e o ano, o que tudo governa no mundo visível e, de certo modo, a causa de tudo o que ele e seus companheiros viam na caverna.

Glauco – É claro que gradualmente chegaria a todas essas conclusões.

Sócrates – Recordando-se então de sua primeira morada, de seus companheiros de escravidão e da idéia que lá se tinha da sabedoria, não se daria os parabéns pela mudança sofrida, lamentando ao mesmo tempo a sorte dos que lá ficaram?

Glauco – Evidentemente.

Sócrates – Se na caverna houvesse elogios, honras e recompensas para quem melhor e mais prontamente distinguisse a sombra dos objetos, que se recordasse com mais precisão dos que precediam, seguiam ou marchavam juntos, sendo, por isso mesmo, o mais hábil em lhes predizer a aparição, cuidas que o homem de que falamos tivesse inveja dos que no cativeiro eram os mais poderosos e honrados? Não preferiria mil vezes, como o herói de Homero, levar a vida de um pobre lavrador e sofrer tudo no mundo a voltar às primeiras ilusões e viver a vida que antes vivia?

Glauco – Não há dúvida de que suportaria toda a espécie de sofrimentos de preferência a viver da maneira antiga.

Sócrates – Atenção ainda para este ponto. Supõe que nosso homem volte ainda para a caverna e vá assentar-se em seu primitivo lugar. Nesta passagem súbita da pura luz à obscuridade, não lhe ficariam os olhos como submersos em trevas?

Glauco – Certamente.

Sócrates – Se, enquanto tivesse a vista confusa – porque bastante tempo se passaria antes que os olhos se afizessem de novo à obscuridade – tivesse ele de dar opinião sobre as sombras e a este respeito entrasse em discussão com os companheiros ainda presos em cadeias, não é certo que os faria rir? Não lhe diriam que, por ter subido à região superior, cegara, que não valera a pena o esforço, e que assim, se alguém quisesse fazer com eles o mesmo e dar-lhes a liberdade, mereceria ser agarrado e morto?

Glauco – Por certo que o fariam.

Sócrates – Pois agora, meu caro Glauco, é só aplicar com toda a exatidão esta imagem da caverna a tudo o que antes havíamos dito. O antro subterrâneo é o mundo visível. O fogo que o ilumina é a luz do sol. O cativo que sobe à região superior e a contempla é a alma que se eleva ao mundo inteligível. Ou, antes, já que o queres saber, é este, pelo menos, o meu modo de pensar, que só Deus sabe se é verdadeiro. Quanto à mim, a coisa é como passo a dizer-te. Nos extremos limites do mundo inteligível está a idéia do bem, a qual só com muito esforço se pode conhecer, mas que, conhecida, se impõe à razão como causa universal de tudo o que é belo e bom, criadora da luz e do sol no mundo visível, autora da inteligência e da verdade no mundo invisível, e sobre a qual, por isso mesmo, cumpre ter os olhos fixos para agir com sabedoria nos negócios particulares e públicos.

Glauco – Concordo também, até onde sou capaz de seguir tua imagem.

Sócrates – Continuemos pois – disse eu – Concorda ainda comigo, sem te admirares pelo fato de os que ascenderam àquele ponto não quererem tratar dos assuntos dos homens, antes se esforçarem sempre por manter a sua alma nas alturas.É natural que seja assim, de acordo com a imagem que delineamos.

Glauco – É natural – confirmou ele.

Sócrates – Ora, pois! Entendes que será caso para admirar, se quem descer destas coisas divinas às humanas fizer gestos disparatados e parecer muito ridículo, porque está ofuscado e ainda não se habituou suficientemente as trevas ambientes, e foi forçado a contender, em tribunais ou noutros lugares, acerca das sombras, e a disputar sobre o assunto, e sobre o que dispõe ser a própria justiça quem jamais a viu?

Glauco – Não é nada de admirar.

Sócrates – Mas quem fosse inteligente – redargüi – lembrar-se-ia de que as perturbações visuais são duplas, e por dupla causa, da passagem da luz à sombra, e da sombra à luz. Se compreendesse que o mesmo se passa com a alma, quando viesse alguma perturbada e incapaz de ver, não riria sem razão, mas reparava se ela não estaria antes ofuscada por falta de hábito, por vir de uma vida mais luminosa, ou se, por vir de uma maior ignorância a uma luz mais brilhante, não estaria deslumbrada por reflexos demasiadamente refulgentes; à primeira deveria facilitar pelas suas condições e pelo seu gênero de vida; da segunda, ter compaixão e, se quisesse troçar dela, seria menos risível essa zombaria do que se aplicasse àquela que descia do mundo luminoso.


Saindo da caverna
Saindo da caverna

A caverna é o mundo sensível que habitamos, na medida em que não conhecemos a verdade, na medida em que vemos apenas sombras e reflexos que tomamos por verdade.

Os grilhões são nossos conceitos e preconceitos, nossa confiança em nossos sentidos e opiniões, nossa ilusão, nossos medos e repressões. Não poder voltar o rosto, não poder olhar de lado, corresponde a não conseguir olhar para os outros, a ser egoísta e olhar somente para si mesmo.

Dar nomes as sombras é fazer julgamentos, rotular coisas e pessoas. Julgar que os ecos dos que passam são as próprias sombras reverberando significa acreditar que nossas projeções são realmente os outros, e que nada além disso é real.

E quando ao que assim julga a luz é revelada, descortinando-lhe a verdade de que o que via antes eram apenas reflexos de si mesmo, ele nega ser igual às suas projeções e acredita que as pessoas realmente são como imaginava.

A dor de ver a luz e a pena de se levantar representam o sofrimento de ver aquilo que verdadeiramente se é. Desviar os olhos do fogo é negar a verdade.

Para poder ver as sombras sem dor é preciso saber discerni-las, bem como as imagens dos homens e de outros seres refletidos sobre as águas, e, em seguida, erguer os olhos para a lua e para as estrelas, contemplar os astros noturnos mais facilmente do que o que é visível ao resplendor do dia. E, depois de desvendar os enigmas da noite, sentir-se apto a ver o próprio sol, primeiro refletido e então diretamente. Assim, vamos compreendendo a vida, seus reflexos, vamos conhecendo a verdade aos poucos. Primeiro, a verdade que pertence aos outros; depois, voltando o olhar direta e profundamente para a nossa essência mais íntima, a verdade de nosso próprio ser.

O Mito da Caverna apresenta a dialética como movimento ascendente de libertação, de iluminação. Com esta metáfora, Platão nos diz que não é possível ensinar sobre as coisas, pode-se apenas ensinar a procurá-las.

Os olhos foram feitos para ver, a alma, para conhecer. Os primeiros estão destinados à luz solar; a segunda, à fulguração da idéia. A dialética é a técnica liberadora dos olhos do espírito.

Autor: Fabio Ferreira

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O Resgate da Alma e a Iniciação

Conferência

Abaixo um fragmento da conferência “O Resgate da Alma e a Iniciação” ministrada pelo Sr. Karl Bunn, Presidente e Instrutor da Escola/Igreja Gnóstica do Brasil

Para ler a conferência completa: Acesse aqui
Para escutar a conferência através de arquivo Mp3: Faça aqui o download


O resgate da alma e a iniciação
O resgate da alma e a iniciação

Inicialmente, anotamos aqui para comentar alguma coisa a respeito do julgamento da humanidade que houve agora, no último dia 18 de julho de 2007. Neste dia, nesta noite, a partir do primeiro minuto do dia 18 de julho, de um modo geral, todos os estudantes de Gnose do mundo, especialmente líderes e instrutores, foram julgados; foram os primeiros a serem julgados no tribunal da lei divina. Justamente, como comentávamos em particular aí, antes de iniciar essa reunião, que os filhos dos Deuses, os bodhisattvas, são os mais exigidos pela lei divina porque precisam dar o exemplo, precisam ser o exemplo aos que ensinam ou para aqueles que vêm através do ensinamento para seguir este caminho.

Então, no meio gnóstico, nós temos que priorizar o exemplo, a vivência, a prática, o viver no dia a dia aquilo que se ensina. Não é prioridade dentro da Gnose – e nunca foi – o discurso, a aula teórica, como muitos lamentavelmente até hoje ainda se pautam dessa forma; muito discurso, muito terceiro fator em sala de aula apenas, mas não se faz nada de concreto, nem na conduta e nem no dia a dia no convívio social com outras pessoas.

Pois é justamente no convívio que devemos expressar o terceiro fator… Claro que devemos ensinar a doutrina redentora também, porém, o que podemos ensinar se nada compreendemos? Se não compreendemos as quatro linhas que ensinou o Senhor Buddha como vamos ensinar acerca das quatro linhas àquele que chega? Então, primeiro temos que encarnar os princípios daquilo que vamos ensinar; assim evitaremos erros, interpretações inclusive.

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Falsas Luzes

Todos os seres, invariavelmente, buscam a luz. Dos maiores aos mais pequeninos. A alma recém purificada na região inferior, através de longas e sucessivas etapas, segue o seu caminho rumo à luz.

E nisso, há um importante aprendizado, senão vejamos: Nós, em geral, parecemos como essas pequeninas mariposas que, no escuro, quando vêem alguma luz acessa no jardim, logo dela se acercam achando que essa é a “verdadeira luz”. Porém, quando alguém apaga essa luz, elas ficam novamente no escuro, desiludidas porque achavam que essa era verdadeira.

Samsara
Ciclo de renascimentos do samsara

Ao verem outra luz acesa, voamos para ela, achando, mais uma vez, que essa é a “verdadeira luz” e não a outra que se apagou. Até que alguém, novamente apaga essa luz de jardim e ele volta a ficar no escuro e se desencante outra vez.

Esse círculo se repete milhares de vezes, e nisso alguns morrem queimados ou viram comida de animais maiores, enquanto seguem o aprendizado DA VIDA.

Elas ficam assim, inocentemente encantadas, até que chegue o dia em que se dão conta do que é a VERDADEIRA LUZ, essa que nunca se apaga ou se extingue e ilumina sem queimar.
Neste dia, acaba o encanto da forma e cessa o sofrimento, porque não mais nos iludimos com prazeres ou sensações.

Os sofrimentos não são os venenos da mente, ao contrário, são os “venenos da mente” que causam sofrimento.

Essa expressão, “venenos da mente”, foi utilizada na época de Buddha para dar a entender e explicar algo que causa um mal terrível, que, em suma, é isso de estarmos presos ao Samsara pela ignorância, sujeitos a dualidade, a uma interminável suscessão de causas e efeitos.

Ficamos presos ao Samsara por apego ou aversão. Medite sobre isso, caro amigo; diria que é interminável a lista de apegos e aversões que temos. Quem está envenenado não está bem e sofre horrores por causa dos efeitos do veneno. Quer eliminar o veneno ?

Aprenda a viver a vida de forma correta, pratique os 3 fatores de revolução da consciência, incorpore para si o ensinamento das 4 Nobres Verdades siga o óctuplo caminho ensinado por Buddha e não deixe passar um dia sequer sem buscar a reino da Luz até o encontrar.

Meios de libertação

Ensinamento
Ensinamento das quatro nobres verdades e do octuplo caminho

Observa-se, no contexto geral, que a grande maioria se interessa mais por assuntos mundanos do que pelos assuntos verdadeiramente transcendentais, que permitem a liberação do sofrimento e alcançar a verdadeira sabedoria.

Um discípulo, ao perguntar a Nagarjuna, se era pela atenção concentrada que nos livramos do renascimento, teve como resposta, clara e direta, a seguinte explicação:

“Pela atenção concentrada, pela sabedoria, por outros estados de alma salutares.
- Mas (reperguntou o discipulo), a atenção concentrada não é a mesma coisa que a sabedoria ?
- Não ! São diferentes. A atenção concentrada acha-se nas cabras, nos carneiros, nos bois, nos búfalos, nos camelos, nos burros. Jamais a sabedoria !” (Milinda Panha, p. 74)

Ou seja, é necessário “algo mais” do que a atenção concentrada. Como ensinava o Mestre Samael Aun Weor, a “iniciação é a vida corretamente vivida”.

Viver corretamente é praticar conscientemente os 3 fatores de revolução da consciência e as 4 nobres verdades do Senhor Buddha, através do óctuplo caminho.

Sobre estes temas, há conferências em nosso PodCast, aqui neste site. [Site da IGB]

Liberação dos sentidos

Buddha e Rahula
Buddha e Rahula

O Abençoado [Buddha] disse para o venerável Rahula:

“Rahula, o que você pensa? O olho é permanente ou impermanente?” – “Impermanente, venerável senhor.” – “Aquilo que é impermanente é sofrimento ou felicidade?” – “Sofrimento, venerável senhor.” – “Aquilo que é impermanente, sofrimento e sujeito à mudança é adequado que se considere assim: “Isso é meu, isso eu sou, isso é o meu eu?” – “Não, venerável senhor.”

“Rahula, o que você pensa? As formas… A consciência no olho… O contato no olho… Qualquer sensação, qualquer percepção, quaisquer formações, qualquer consciência que surja tendo o contato no olho como condição é permanente ou impermanente?” [4] – “Impermanente, venerável senhor.” – “Aquilo que é impermanente é sofrimento ou felicidade?” – “Sofrimento, venerável senhor.” – “Aquilo que é impermanente, sofrimento e sujeito à mudança é adequado que se considere assim: “Isso é meu, isso eu sou, isso é o meu eu?” – “Não, venerável senhor.”

“Rahula, o que você pensa? O ouvido é permanente ou impermanente? … O nariz é permanente ou impermanente? … A língua é permanente ou impermanente? … O corpo é permanente ou impermanente? … Os objetos mentais … A consciência na mente … O contato na mente … Qualquer sensação, qualquer percepção, quaisquer formações, qualquer consciência que surja tendo o contato na mente como condição é permanente ou impermanente?” – “Impermanente, venerável senhor.” – “Aquilo que é impermanente é sofrimento ou felicidade?” – “Sofrimento, venerável senhor.” – “Aquilo que é impermanente, sofrimento e sujeito à mudança é adequado que se considere assim: “Isso é meu, isso eu sou, isso é o meu eu?” – “Não, venerável senhor.”

“Vendo dessa forma, Rahula, um nobre discípulo bem instruído se desencanta do olho, se desencanta das formas, se desencanta da consciência no olho, se desencanta do contato no olho e se desencanta de qualquer sensação, qualquer percepção, quaisquer formações, qualquer consciência que surja do contato no olho como condição.

“Ele se desencanta do ouvido … Ele se desencanta do nariz … Ele se desencanta da língua … Ele se desencanta do corpo … Ele se desencanta da mente, se desencanta dos objetos mentais, se desencanta da consciência na mente, se desencanta do contato na mente e se desencanta de qualquer sensação, qualquer percepção, quaisquer formações, qualquer consciência que surja do contato na mente como condição.

“Desencantado, ele se torna desapegado. Através do desapego a sua mente é libertada. Quando ela está libertada surge o conhecimento: ‘Libertada.’ Ele compreende que: ‘O nascimento foi destruido, a vida santa foi vivida, o que deveria ser feito foi feito, não há mais vir a ser a nenhum estado.’”

Texto completo: Acesso ao Insight

Autor: Karl Bunn / Alex Alves *

Compilado de diversas fontes…

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Discípulos, Mestres e Avatares

Há tempos que sinto impulso de dizer algumas palavras sobre este tema. Mas, sempre acabei me contendo, considerando a vulgarização e a BANALIZAÇÃO destas expressões.

Sim, porque qualquer larva ou doente mental em qualquer esquina do mundo hoje se diz (ou dele se diz) Mestre. E todo mundo já se considera um Chela ou um Lanu prestes a alcançar o nível de Adepto.

Escolas Iniciáticas? Bem, todos se dizem e se apresentam como Iniciados, mesmo que tenham lido apenas meia dúzia de cartilhas esotéricas infantis.

Será que sempre foi assim na história da humanidade? Ou, em algum momento de nossa história, de fato existiram Mestres, Avatares, Adeptos, Discípulos? O que é exigido de um Discípulo, Lanu ou Chela? Como se tornar um Pequeno Iniciado da Fraternidade Branca?

Nisso tudo há uma Hierarquia, uma Disciplina super-rigorosa com muito Trabalho Prático e uma Metodologia.

Jesus Cristo
Jesus Cristo

Quer acredite ou não, a Iniciação é para poucos. Qual o critério de seleção? – Cada um deve decidir, pedir (e pedir muito) e trabalhar (e trabalhar muito). Toda oração sincera, todo pedido feito de coração puro e vibrante é escutado. O universo não é esse deserto material que os seguidores do Anticristo pregam em suas escolas e alardeiam pela mídia que se prosterna reverentemente diante de seus arautos.

Em suas preces sendo aceitas, vêm as primeiras provas. Geralmente, o aspirante nem fica sabendo que foi provado (porque sua consciência dorme profundamente).

A primeira prova, é a prova do Guardião, onde o aspirante invoca o reflexo psicológico de si mesmo, no mundo astral. Se sair vencedor sobre sua própria natureza egóica, passa para a prova seguinte. Se fracassar, pára aí mesmo, e esta prova só se repete depois de muito tempo, caso não tenha mudado de idéia e insista em pedir sua Iniciação.

Na seqüência, vêm as provas dos 4 Elementos: Fogo, Ar, Água e Terra.

Disciplina
Disciplina
O estudante só entra no Caminho Preparatório após haver saído vencedor nesse vestibular probatório inicial. A partir daí, seguem-se 9 Iniciações Menores, que podem ser realizadas em até 2 anos se o estudante tiver uma correta orientação. Ou passar a vida toda sem nem chegar à Nona Iniciação Menor.

A maioria dos nomes conhecidos no esoterismo atual, que viveram nos últimos 200 anos, nunca passou da Nona Iniciação Menor. Quer dizer: tudo que disseram e escreveram sobre temas esotéricos refere-se tão só ao Primário dos Colégios Iniciáticos.

Esse é o maior drama dentro do ambiente esotérico mundial. Existem milhares e milhares de livros, que, no fundo, são inúteis. Porém, o pior não é isso. O pior é que os devoradores de livros esotéricos crêem que “progredir”, “avançar”, “iluminar-se” é ler livros. Que tudo é feito com o intelecto. Que a mente, mediante aleitura e a reflexão intelectual, possa se Iluminar (quando, Luz, aqui, é o oposto da informação acumulada ou arquivada nos 300 mil clusters do cérebro humano).

Mesmo sem saber que nada sabem, apesar de haverem criado uma cultura intelectual esotérica formidável, esses pobres devoradores de livros julgam-se suficientemente “despertos de consciência” para julgar, criticar e atacar os Autênticos Iniciados, Adeptos, Mestres e Avatares, como tenho visto por aí, navegando pelos mares virtuais.

Essa atitude, simplesmente, fecha-lhes de forma definitiva as portas do Caminho Sagrado. Será mais um retorno perdido por pura ignorância espiritual e falta de humildade esotérica.

Um Mestre, Escola ou Chela que não ensine ou que não conheça nem pratique a doutrina da morte dos defeitos psicológicos, a doutrina alquímica e não realize obras em favor dos demais (não viva a doutrina do Cristo em carne e osso), nada sabe de Iniciação, nem de esoterismo autêntico ou ocultismo prático branco.

Todos os dias chegam consultas e e-mails de pessoas perguntando onde podem achar um serviço de delivery iniciático ou se, acaso, os ET’s possuem aparelhos para acelerar a evolução espiritual.

Respeitada alma peregrina, na Via Iniciática, cada um faz o seu trabalho. Esse trabalho pode ser suavizado ou acelerado se encontrarem e tiverem humildade de aceitar orientações de um Chela ou Lanu (porque nenhum de nós irá encontrar Mestres por aí) sério ou responsável, que efetivamente tenha vivido todas essas etapas preliminares e que ainda viva e pratique no seu dia a dia a sagrada e secreta ciência iniciática.

Na vida prática, vemos apenas que as pessoas já nem mais forças e energias têm como que para realizar duas horas diárias de exercícios esotéricos. Todos foram engolidos pela voragem da vida moderna.

O primeiro passo começa aí mesmo: decidir o que queremos. Morrer como máquinas de produção e consumo ou fazer algo em favor de nós mesmos, sacrificando tudo que for preciso em favor do ideal iniciático.

O que quer que seja, precisa ser conquistado neste Caminho. Porém, para o mundo do anticristo damos tudo e para o mundo dos Deuses, nada.

Anima-nos sustentar este trabalho que desenvolvemos a frente da FUNDASAW, com uma reduzida equipe, a existência de um pequeno grupo de estudantes que, em silêncio e de forma discreta, dedicam parte de suas vidas a melhorar sua condição espiritual, tendo já conquistado resultados muito animadores.

Autor: Karl Bunn
Fonte: Igreja Gnóstica do Brasil

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